sábado, 2 de maio de 2009

- VERÃO -

Verão - dezembro de cajuadas -
Tinindo de sol que chega a ferir a vista da gente...

Eu gosto dêste verão como gosto da vida...
É quente mas de uma quentura que dá vontade
De gritar fogoso... - a luz forte já parece um
grito -
Se corre pra debaixo das árvores
E se fica olhando a insolência do calor
Que está acuando a gente...

As árvores cheias de bichos nos ramos
E nas sombras parecem galinhas agasalhando pin-
tinhos...
O verde das fôlhas é tão lustroso que elas
Parecem que estão pintadas de nôvo e o óleo
Está fresco largando nos dedos...

A areia vermelha dos barrancos é um beiju
Tostando na caçarola de barro...

Os cajueiros gritam cheios de cajus vermelhos...

A água passa correndo muito magra
Lá no fundo da levada...
As lavadeiras estendem as roupas nas varas
Das faxinas dos sítios
- E as cuecas, as camisas e as calças brancas
Parecem corpos desarticulados dos donos mortos
Virando carne de sol...

E o verão de dezembro enche todo o espaço
De nuvens paradas e miúdas
Lembrando escamas de peixe...

***

Adoroooo este poema do Livro de Poemas do escritor potiguar Jorge Fernandes .
Retrata tão bem os elementos regionalistas.
Enfim, gosto muito deste poema, marcou uma fase ano passado estudando pra passar no vestiba. Infelizmente não caiu nada sobre este poema na prova, mas a mensagem permaneceu.

Nenhum comentário: